quinta-feira, outubro 11, 2012
Fica?
Fica vai. Agora simplesmente não é hora de sair – está um friozinho chato lá fora. Não saia agora não. Tem pizza portuguesa na geladeira, matte e leão. Ouvi dizer que vai chover. Você não precisa ir, precisa? Aqui tem banho quente, joguinhos e sedução. A gente pode só deitar no sofá, dormir a tarde toda... até cansar. Ou pode se jogar na minha cama, eu faço uma massagem, um carinho comprido. Escuta o vento. Ele canta alto lá fora e está falando para você ficar. Se quiser eu preparo uma omelete, cuido com o sal e coloco cebolinha, mas, se preferir, eu posso fazer bolinhos enquanto você toma um refresco sentado logo atrás de mim, rindo dos meus erros, cantando seu Engenheiros. Fica aqui do meu lado. É um pedido simples, não peço mais nada. Ah, quem dera escutasse pensamentos...
domingo, setembro 23, 2012
A polêmica coça a língua e os dedos
A polêmica coça a língua e os dedos, pois bem: dá-me uma caneta. É difícil ficar calado diante de uma discussão fervorosa; ter que se abster, uma vez que a sociedade impõe e espera de mim um comportamento de boa moça, congênere às concepções do senso comum. Não tenho a intenção de sair chutando barracas, fazendo escândalos, tampouco tentando exprimir minha opinião por meio de passeatas mal organizadas, vulgares ou qualquer coisa do gênero. É simples: trata-se de dar a palavra, ouvir e argumentar simplesmente. Mas não. Se, por algum motivo particular, resolvo seguir a direção oposta da opinião alheia - pronto! – tudo vai pelos ares, torno-me o ser mais repugnante da face da terra. E falam em direito de expressão! Também não tenho a intenção de assumir a posição de revoltada-mor, incompreendida ou lastimada. Contudo, se tomo a liberdade de escrever umas poucas palavras a favor do “sujeito bandido”, impreterivelmente, e sem delongas me metamorfoseio nesse senhor sem escrúpulos – sem ao menos ser questionada dos meus porquês. Ah! O dito cujo também não foi interrogado para maiores esclarecimentos. Por isso, sinto dizer, porém estamos imersos em uma sociedade hipócrita que insiste em defender a democracia e os direitos da personalidade achando que essa “personalidade” se caracteriza apenas pelo seu próprio ser. A palavra “outro” não consta no dicionário ou está lá, bem escondida, com o significado de “qualquer um” ou, “tanto faz”.
sexta-feira, julho 20, 2012
Para escrever
"Primeiro é preciso vivenciar uma coisa. Depois, lamentar sua perda. Daí, é preciso esquecê-la. E depois recordá-la. E então você escreve. Após a redação, claro, vem a revisão. A revisão é uma das partes mais pessoais da escrita. O que faço é ler meu trabalho como se outra pessoa o tivesse escrito. Leia como se não fosse seu. E é preciso contar uma história. Nunca deixe de se perguntar: 'Estou contando uma história capaz de interessar as pessoas?' Escrever é fazer uma história andar. Lembrem-se, a única coisa que o leitor quer saber é: 'o que aconteceu?'." As viagens de Alice - Alice Steinbach - página 312.
Criação
Me fascina o poder criativo da água do chuveiro e o seu mais eficiente artifício - a obrigação que me é imposta de treinar a memória, afinal, papéis molham e se desmancham lá, certo? Sem ainda mencionar, é claro, seu poder curativo e de reflexão... Lágrimas lá parecem não molhar e os devaneios irrompem como a própria água quando cai nos ombros.
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
O tempo costuma amenizar as coisas, como dizem... Os enganos vão se reajustando, as desilusões se redispondo... mas o problema são as magoantes palavras. Donas de lacunas e vácuos interpessoais que se estendem e ascendem vertiginosamente como ervas daninhas elas não cogitam o porvir, apenas caem sobre nós sem sequer esperar a primeira lágrima. Ao passo que tais buracos aumentam, tornam-se inalcançáveis e inalteráveis por culpa do tempo, aquele mesmo que costumava abrandar o fogo de uma discussão, mas que agora protelou o que poderia ser uma bem sucedida consonância. Defronte de tal descompasso da existência é fácil sentir-se iludido, sentir-se diante de uma miragem ou ainda de uma peça que a própria vida nos pregou. Todavia, o reparo de tudo isso - por mais que o tempo diz encarregar-se - cai-nos sobre os ombros. Ainda assim, a concórdia não surge do zero, deve ser buscada com cautela, tenacidade e braços abertos. Alguns contratempos devem ser abandonados e o orgulho e a magnificência devem ser tragados para que a benevolência venha à tona e deixe o silêncio do carinho que sempre existiu falar mais alto. Não é possível que um apego quase decênio não sobreviva a um trepidar passageiro. Sem mais, mas disposta a batalhar por tudo que já fomos.
terça-feira, fevereiro 28, 2012
A decepção virá, assim como o trem das 16 e como aquela palavra crua e suja da tua boca. E todos eles vêm acompanhados de sensações nada sublimes e gestos grosseiros.
A decepção virá, assim como a satisfação após um grande gole de whisky e como a risada possante durante um bungee jump aterrorizante. E todos eles vêm acompanhados de uma dose titã de ilusão.
A decepção virá assim como a liberdade após anos de masmorra e como a lágrima sutilmente salgada e miserável do arrependimento. E todos eles vêm acompanhados de um grande e pesado aperto no peito.
A decepção virá assim como o nojo, como a exautão e como a frieza.
A decepção virá, assim como a satisfação após um grande gole de whisky e como a risada possante durante um bungee jump aterrorizante. E todos eles vêm acompanhados de uma dose titã de ilusão.
A decepção virá assim como a liberdade após anos de masmorra e como a lágrima sutilmente salgada e miserável do arrependimento. E todos eles vêm acompanhados de um grande e pesado aperto no peito.
A decepção virá assim como o nojo, como a exautão e como a frieza.
Assinar:
Comentários (Atom)