domingo, setembro 23, 2012

A polêmica coça a língua e os dedos

A polêmica coça a língua e os dedos, pois bem: dá-me uma caneta. É difícil ficar calado diante de uma discussão fervorosa; ter que se abster, uma vez que a sociedade impõe e espera de mim um comportamento de boa moça, congênere às concepções do senso comum. Não tenho a intenção de sair chutando barracas, fazendo escândalos, tampouco tentando exprimir minha opinião por meio de passeatas mal organizadas, vulgares ou qualquer coisa do gênero. É simples: trata-se de dar a palavra, ouvir e argumentar simplesmente. Mas não. Se, por algum motivo particular, resolvo seguir a direção oposta da opinião alheia - pronto! – tudo vai pelos ares, torno-me o ser mais repugnante da face da terra. E falam em direito de expressão! Também não tenho a intenção de assumir a posição de revoltada-mor, incompreendida ou lastimada. Contudo, se tomo a liberdade de escrever umas poucas palavras a favor do “sujeito bandido”, impreterivelmente, e sem delongas me metamorfoseio nesse senhor sem escrúpulos – sem ao menos ser questionada dos meus porquês. Ah! O dito cujo também não foi interrogado para maiores esclarecimentos. Por isso, sinto dizer, porém estamos imersos em uma sociedade hipócrita que insiste em defender a democracia e os direitos da personalidade achando que essa “personalidade” se caracteriza apenas pelo seu próprio ser. A palavra “outro” não consta no dicionário ou está lá, bem escondida, com o significado de “qualquer um” ou, “tanto faz”.

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