quarta-feira, fevereiro 29, 2012

O tempo costuma amenizar as coisas, como dizem... Os enganos vão se reajustando, as desilusões se redispondo... mas o problema são as magoantes palavras. Donas de lacunas e vácuos interpessoais que se estendem e ascendem vertiginosamente como ervas daninhas elas não cogitam o porvir, apenas caem sobre nós sem sequer esperar a primeira lágrima. Ao passo que tais buracos aumentam, tornam-se inalcançáveis e inalteráveis por culpa do tempo, aquele mesmo que costumava abrandar o fogo de uma discussão, mas que agora protelou o que poderia ser uma bem sucedida consonância. Defronte de tal descompasso da existência é fácil sentir-se iludido, sentir-se diante de uma miragem ou ainda de uma peça que a própria vida nos pregou. Todavia, o reparo de tudo isso - por mais que o tempo diz encarregar-se - cai-nos sobre os ombros. Ainda assim, a concórdia não surge do zero, deve ser buscada com cautela, tenacidade e braços abertos. Alguns contratempos devem ser abandonados e o orgulho e a magnificência devem ser tragados para que a benevolência venha à tona e deixe o silêncio do carinho que sempre existiu falar mais alto. Não é possível que um apego quase decênio não sobreviva a um trepidar passageiro. Sem mais, mas disposta a batalhar por tudo que já fomos.

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