sexta-feira, novembro 05, 2010

A vida é uma invenção

A vida é uma invenção, um carrossel de sensações, um poema.
É escrita nos mínimos detalhes, pode ser transformada em instantes, pois é perene, instável.
Mas essa poesia magnífica é engolida por este caos que é o cotidiano, por esta pausa que não dei, por estes atos sem pensar. A poesia se torna escassa, estranha, desgastante. Seu sentido se desmembra, suas linhas se entortam.
Com este barulho, com esta hipocrisia e com estes enganos perdi o afeto e o respeito de antigamente. Transformei-me em uma máquina enferrujada, distante. Descobri que aquele que estava ao meu lado não esta mais lá, afinal nem mais olho para o lado. E quando caí na verdade, desligei o motor, a engrenagem, fiquei sem saber qual foi a última vez que o vi. Com certeza não foi quando ele estava realmente lá, na totalidade de ser ele mesmo.

sexta-feira, outubro 22, 2010

Não lhe permita sentir esperança

Não esta por acontecer, não vai acontecer. Amasse sua esperança, cuspa nela e a jogue fora. Despreze este seu pensamento otimista, descarte esta sua ideia inócua e sufoque esse seu bom caráter.
Permaneça assim, vazio, desgraçado, comprimido. Substitua sua emoção por uma xícara de chá de gengibre. Espere a garganta arder, beba mais um gole. Sinta o gosto vil da destruição, da falta de estima e da guerra cerebral dentro de você.
E se o arrepio lhe vier à espinha, contenha-o. Nada que lhe faça se sentir humano, deverá ser sentido novamente.

sábado, outubro 16, 2010

Surpreendente

A gente se depara com pessoas incríveis.
Me deixa perplexa o modo como se conectam e se comunicam, o modo como tranmitem emoções e pensamentos. O simples fato de ler algumas postagens fez com que eu me visse a refletir sobre essa situação.
A diferença que existe na maneira das pessoas se expressarem por palavras exemplifica o poder único de nossas mentes e a vontade indescritível que temos de usá-la. E é esta vontade que nos encaminha a escrever.
Ideias simples e pessoais tornam-se explêndias e públicas depois que colocadas no papel, nos sites, enfim.
Percebo, por fim, que somos capazes de nos superar cada vez mais mostrando nossas personalidades, nossa independência e principalmente nossa coragem.
Gosto de escrever e mesmo que o que escrevo possa parecer estranho ou em outros casos incompreensível, gosto de escrever.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Lápis, papel e borracha

Quem algum dia disse ao escritor que o mesmo deveria começar suas frases com conectores e letras maiúsculas não sabia o que era escrever, não da forma prazerosa, livre, cintilante. Quem em algum momento julgou erroneamente as palavras de um poema, perdeu a única chance que tinha de conhecer este tipo de beleza.
Somente quem redige sabe o que é escrever. Repassar sentimentos, realidades, momentos não é mera brincadeira, vai muito além de letras debruçadas em linhas retas. É a fuga, a corrida por entre as savanas, uma passagem clandestina para a terra do nunca, um mergulho intenso no âmago da alma. São viagens simplesmente fenomenais, tiram o fôlego, aceleram o músculo pulsante, mas são indescritíveis para meros mortais.
Preserva a calma e a essência aquele que preza pelo pensamento escrito, pelo escudo que tem nas mãos; lápis, papel e borracha.

I remember that day

Em silêncio cada uma guarda seus receios, seus anseios.
Expectativas mergulhadas em pensamentos que podem ser afogadas a qualquer instante bastando um mínimo vacilo.
Apenas um suspiro.
Um suspiro momentâneo que tenta por tudo diminuir as palpitações aceleradas de um músculo pulsante ancioso. O ato fracassa.
Um olhar distante, cheio de sonhos e desejos.
Um meio sorriso que tenta traduzir a situação, seguido de um movimento dos pés, quase imperceptível; invisível aos olhos dos espectadores ao redor.

sábado, janeiro 23, 2010

Uma lembrança, um sorriso verdadeiro

Ela achava que tinha a vida perfeita.
Conseguiu o imóvel mais caro da cidade, tinha um emprego estável, um namorado bonito. Ganhava bem, pagava todas as contas da casa, tinha criados para todas as tarefas possíveis e imagináveis. Jóias para todos os gostos, roupas, sapatos.
Em um dia comum, voltando do trabalho, ela se deparou com uma cena intragável. Passaram-se algumas semanas e aquela visão ainda não havia saído de sua cabeça. Quanto mais ela lutava para esquecer aquele pensamento, mais nítido e dolorido ele ficava.
Ao ver-se cansada da monotonia de seu trabalho, presa em sua própria casa, regada de utensílios fúteis que não a preenchiam, com um protótipo de homem perfeito (rico, bonito e bem resolvido), mas não o amava, percebeu que aquilo tudo não era uma vida perfeita como intitulava no passado.
Resolveu trocar o imóvel por passagens aéreas e hoteizinhos hospitaleiros. Trocou os criados por malas de viagem, chapéus e protetor solar, e aquele que dizia seu companheiro, por sua própria companhia que a preenchia tão melhor quanto a de qualquer outro estranho. Prometeu a si mesma, que iria fazer o possível e o impossível para repetir a cena que jamais esquecera.